Braseiro: Odeia versus Aldeia
Selmo Azevedo Apontes - Guajará-Mirim/RO

Odeia versus aldeia
Foi um balburdio em pleno meio dia...
um grito de dor...
um grito de horror pululava nas veias
Ecoando no seio da mata.

Rios tingidos de sangue,
rostos rotos de pós mascarados,
Irmãos que não sabiam o dó.

As nuvens prenhes pela última vez
soltavam um grito de dor
pelos filhos que enchiam a terra,
pois ela já não era Mãe...
Prostituíram-na.

A vida
era um constante borbulhar,
uma flecha nas águas a roçar
à beira do poente
a meditar.

A vida era um grande porre de chicha, de cauim
ao som orgânico da natureza.
A coreografia da vida
era um sorriso cheio de paz.

No entanto,
a vida adoecia a cada toque,
as pegadas na terras estavam calejadas,
no horizonte
uma névoa cobria: realidade despedaçada
socada num pilão da tortura,
foi o primeiro abraço do porco-espinho.
A natureza começava a morrer
com o tombo da primeira árvore,
com o enxerto do primeiro vírus.

Eis que rompe no seio lúgubre de um penedo
um grito: é um parto
(entrada para a vida
ou um aceno da despedida final)!
Um Filho: Brasil.
Não descoberto; parido,
num período de Carnaval.

(Esta poesia obteve o 1º lugar no 7º concurso de Poesias, Contos e Crônicas da Universidade Federal de Rondônia - UNIR - ano 2000)

 

MEU PAÍS É ESTE
Dária Farion - Curitiba/Pr

Ainda é madrugada e já canta o sabiá, o canário terra, o bem-te-vi, o rouxinol... a orquestra matinal

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