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Talvez...
Angela Maria - Rio de Janeiro/RJ
Se a incerteza acalmasse minh’alma,
Sou o que sou porque te quero.
Quero velar o teu sono; e depois partir.
Quero amar alguém que saiba amar-me,
Talvez alguém que não saiba mentir.
Um amor que foi feito pra mim!
Quantos dos meus segredos revelei,
Meu amor foi rejeitado; quando tua boca beijei!
Fiz dos meus versos meu refúgio do meu ser,
Talvez as nuvens se cruzem com as estrelas.
Que nelas a minh’alma se dispa,
Para perder-me nos braços do destino.
Homem imprevisto; repentino que tenho nos braços,
O gozo que jorra do teu corpo;inunda todo o meu ser.
Fico inerte; aconchegada nos teus braços,
A boca fria da noite torna-se amargo à própria vitória.
Acuados sonhamos; somos duas entregas,
No meio de tanta gente; fui encontrar você.
Ao teu lado sou feliz; encontro à paz tão necessária!
Mesmo sabendo que não é a mim que você quer.
Todo dia de manhã; colho as lágrimas derramadas nas noites,
Em que vivo sem estar ao teu lado.
Todos os dias faço; refaço tentando esquecer essa |
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distância,
Se a verdade não consigo esquecer,
Que importância tem o meu amor por você!
Filhos do Brasil
Rodrigo Cézar Limeira - Campina Grande/PB
No seio deste país,
Sobrevive o ente da agonia,
Da fome que de dor arrepia,
A criança de um Brasil infeliz.
Descalço por entre as calçadas,
A vida ingrata que o destino te quis,
Por teus pais que na obscura inconsciência,
Te conceberam para a indulgência,
A tua existência triste ardis.
Nas ruas que estais a viver,
A selva de pedra da cidade gigante,
Os caminhos que te fazem errante,
Na encruzilhada para matar ou morrer.
Por tudo que não tiveste,
O pão que te faltou,
A dor que enrijece,
Teu coração de sofredor. |
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