OUTONO

Quero envelhecer sem certeza
De que juventude
Traz felicidade.

Caminho como quem se protege
Da solidão
Sem ter medo da velhice.

Quando o outono chegar audacioso
A minha porta
O receberei com o sorriso
Da juventude que se foi.

Saberei se houve desencanto
Ou se existiu engano
Me penitenciarei e voltarei
Como quem renasce
Para ensaiar o grito
Que a vida inteira ficou preso
Na garganta.

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