A AERONAVE 



A atraente aeronave, naquelas mãos se entrega, 
Como uma paciente amante altiva e brilhante , 
Disfarçando seus temores e anseios, 
Mas sempre confiante, naquele piloto galante. 

Seus atrativos mágicos, sua anomia, 
Como se misturados num cadinho 
Agitados por aquele bravo alquimista, 
Domina-a no céu, com vigor e maestria. 

Ela simulando elegante, o contorno do Minho, 
Como em um gracioso ballet gigante, 
Seduzindo-o para um amor eterno, 
Escondidos no céu revestido de branco linho. 

É guiada por êle para mais uma aventura, 
Bem acima de tudo e de todos, 
Como condiz sempre nestes atos sem linha, 
A um grande Rei ou a um poeta apaixonado 
Confiando, maldoso, uma manobra, uma jura 
A sua linda, manhosa e talentosa Rainha. 

Nos movimentos derradeiros desta jornada, 
Lá em cima nos mais altos quintais, 
Na cumplicidade das aves abismadas, 
Querendo, tornar eterno este rompante, 
Tem braços vibrantes, firmes e seguros, 
A fazê-la finalmente, serenizar confiante. 

Retornam, ainda que sem vontade, 
Estasiados, a este mundo dos mortais, 
Tocando o solo, acariciados pelo vento, 
Êle agradecido a ela, pela irrestrita parceria, 
Por aquele inesquecível momento, 
De segredo indizível, de encanto e de valia.



 

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EDGARD THOMAS MARTINS 
edgard@upe.poli.br  - Recife/PE

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