CREPÚSCULO EXTEMPORÂNEO 



Em heróica luta contra o fuso horário 
Volto ao meu Rio, vindo de Angola 
E ao cair da tarde de outono, em maio 
Finalmente, o BOEING DC-10 decola 

Minhas cordas vibram de ansiedade 
- Hoje, em alto estilo, verei como e onde 
Longe do clarão das luzes da cidade 
O misterioso astro-rei se esconde 

O sol não tem pressa em voltar à casa 
O crepúsculo sonhado, como a noiva, atrasa 
Amarelo é o que reflete o azulado espelho 

O cansaço vence; curvo minha fronte 
E, quase à meia-noite, a linha do horizonte 
Resplandece em lilás, anil, coral, vermelho


 

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Afonso Ricardo de Oliveira 
africar@terra.com.br -  Rio de Janeiro/RJ

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