Ode ao Correio Aéreo Nacional 



A viagem exige fazer primeiro a inscrição 
no Posto CAN e, no dia, chegar bem cedo 
para fazer a pesagem e ter a confirmação 
da viagem, esperando-a sem algum medo, 
mesmo seja esta primeira vez de fazer uso 
de uma aeronave pra uma longa distância. 
O embarque, alvoroço, usar cinto, confuso, 
mas decola, pra o destino ser a nova ânsia. 

Horas, muitas horas de vôo sobre floresta, 
mas só com dois pilotos mantendo o curso 
e estou a ouvir o dá-didi-dadá fazer a festa 
do telegrafista, enquanto posso ver o russo 
sobre as copas de muitas árvores, em baixo, 
como se fosse um grande oceano de espuma, 
que muito me deslumbra e, assim me deixo 
ver nesta viagem e nas outras, uma a uma, 

um grande admirador desse DC-3 que voa 
para longe, pra muito distante, mas sereno, 
que me está possibilitando esse visual à toa, 
que é simples, belo, gratificante e até ameno 
mas dá muita felicidade pra quem o desfruta 
no sem igual privilégio de sobrevôo da nossa 
Amazônia e pela qual o Mundo sempre luta, 
porém sem êxito, enquanto nosso povo possa 

mostrar, que nós temos por ela um amor 
ilimitado, mesmo sabendo ainda existem 
os que a destroem com um grande furor, 
só sendo notado pelos meios que investem, 
cortando espécies e até mesmo queimando 
áreas imensas sem a menor necessidade, 
mas só para alimentar um desejo nefando 
do egoísta e de indiferente à humanidade. 

Duma cidade grande a outra ou a lugarejo, 
Cruzam-se as rotas do nosso CAN querido 
seja quando desbrava ou socorrendo, e vejo 
qual seu valor, tendo em vista o ter servido, 
e quando eu pude integrar a sua tripulação, 
na condição de médico, e ser um observador 
das carências dos recursos nessa imensidão 
territorial do País, vendo seu povo sofredor 

que pouco ajudei e isso muito me desanima, 
quando constato, que a muito pouca ajuda 
que se lhe pude dar, foi na verdade, ínfima. 
Pobre povo, precisa de tudo, mas não muda 
sua dependência do Correio Aéreo Nacional 
pra receber muitas vezes a carne e até o pão, 
por não produzi-los e sua carência ser igual 
à de todos, quer na saúde ou na alimentação. 

A cada pouso, uma multidão, no aeroporto, 
já aguarda, pacientemente, o desembarque 
esperando rever amigos e com desconforto 
ajuda-os como pode, para que isso marque, 
de alguma forma, a fidalguia do povo pacato 
que constitui a população do Brasil distante, 
que até com dificuldades, comprova de fato, 
poder agradar de alguma forma ao visitante. 

Uma viagem após outra e motivos diversos 
a justificar o fato: poder levar algum doente 
a local de mais recurso, trazer pra consertos 
motor ou bomba d’água de algum residente 
eventual ou permanente de alguns cantões: 
militares, índios, religiosos e dos servidores 
lotados nos aeroportos para as manutenções 
necessárias ao conforto dos seus moradores. 

Incontestável a utilidade do Correio Aéreo, 
que sempre nos deu a certeza da integração, 
presença e domínio do solo pátrio e o etéreo 
prazer da nacionalidade que dá a motivação 
para aumentar o nosso orgulho pela querida 
Pátria, esperançosa de dedicação permanente 
e do nosso esforço para dar condição de vida 
sempre melhor a todos, de forma abrangente. 

A população recebe o quanto lhe é oferecido 
pra aplacar sofrimentos diários e reconhece 
as benesses, atendendo serenamente ao pedido 
de compreensão d’alguma falha que acontece 
e independe da nossa vontade em dar o melhor. 
Longe da faina diária que nos impomos, é certa 
a afirmação que fazem falta e lembramos de cor 
os nomes, dos quais, só muita pena nos desperta. 

Hoje nos resta saudades, ao lado do sentimento 
do dever cumprido, e se não foram resolvidos 
todos os problemas, todo esforço foi despendido 
para que pudesse ser dado àqueles necessitados 
o melhor, o importante, o ideal ou confortável 
pro ser humano, em qualquer lugar do planeta; 
o homem humilde e interiorano, sempre afável, 
foi, do CAN, por muitos anos, sua maior meta. 

Saudosa memória de companheiros que lutaram 
por muitos anos, com afinco, pela mesma causa: 
Real vontade de servir ao próximo e os amaram, 
indiscriminadamente, em luta diária, sem pausa, 
podendo assim, honrar o cumprimento da missão. 
Os que já se foram serão mantidos nas memórias 
daqueles que tiveram a graça do convívio e estão 
marcados pelo zelo com pessoas, pra suas glórias. 

Montenegro e Lavenère Wanderley, tenentes 
que não poderão ser esquecidos após o feito 
histórico e pioneiro, fixado em nossas mentes, 
chamado-os de heróis, num merecido preito, 
quando a doze de junho do ano de trinta e um, 
voaram do Rio a São Paulo, com mala postal, 
criando o Correio Militar, e a quarenta e um 
pôde-se implantar o Correio Aéreo Nacional. 

Impossível esquecer entre todos esses nomes, 
quem quis fosse o CAN integração Nacional; 
criou rotas e fiscalizava-as. Eduardo Gomes, 
nas formas precárias de vôo, muito artesanal, 
aos poucos consolida o seu sonho, num preito 
à sua vida e dedica à Força pela qual ele fez 
muito e ser o seu Patrono; merece o respeito 
dos que o admiram, por isso e sua honradez. 

 

 

 

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Almir Camargo Sardinha - Cel Méd Ref
alcasar@terra.com.br - Rio de Janeiro - RJ

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