Breve conto do C47 2022 


Falo aqui do DC3 
Dos meus vôos juvenis 
Aquelas jornadas épicas 
Incríveis anos sessenta 
O tempo não volta mais 

Comparando a Exupèry, 
Noturnos, solitários 
Humanos vôos senti 
Perdidos às vezes, porém 
Tripulantes solidários 


Eu ainda sinto saudade 
Das noites cheias de estrelas, 
Dessa época sem maldade 
E não existia a AIDS 
Sempre cercado de beldades 

Quantas juras de amor trocadas 
Quando Marie Hèlene namorava 
Linda francesinha por muitos desejada 
Sempre que em Rochambeau pernoitava 
Guiana Francesa, para mim encantada 

Dos romances ao luar 
Várias “troca de motor” 
Sempre distante do lar 
Nunca podendo ser doutor 
Evitando remendar 

E assim fui vivendo 
Um pouso aqui, outro ali 
Em terras bem distantes 
Lá proas bandas Xapuri 
Do mal humor me contendo 

Carrapicho em Taraucá, 
Garboso, em seu traje de gala 
O exótico guarda campo 
Com sua espada embainhada 
Cuidando do 22 “carregá” 

Esse avião tinha um problema: 
O esquerdo pipocava e parava 
Geralmente uma contenda 
Quando à todos assustava 
Compensá-lo era um dilema 

Acontecia no crítico, na descolagem 
Mas descobriu quem pesquisava 
Um cartão verde de “estocagem” 
Que dentro do tanque vedava 
O combustível, e o motor “apagava” 

O pesquisador, sargento especialista 
Muito atento, faz a revista 
Identifica essa pane e tudo lista 
Esclarece tudo, expõe à vista 
Aos superiores dá entrevista 

Correio Aéreo Nacional, nosso CAN 
Inesquecível, muitas histórias, um afã 
Tripulações fantásticas, “bambans” 
Porto Alegre ao final de semana, um “élan” 
“Meu” 22, onde estarás? Continuo seu fã 

 

 

 

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Ivan Gonçalves 
ivang33@aol.com - Balneário Camboriú/SC

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