A TODAS AS ÁGUIAS ... 



Ruge o motor na força da decolagem, 
O biplano estremece ganhando vida ... 
Sobre a pista ergue a cauda em arfagem 
Leve no solo - ansia o vôo de mais uma lida. 

Trago suave o manche e deixo-o sair ... 
Enquanto tremem suas asas de pau e pano, 
Em afagos envolto pelo ar a fluir, 
Começa a voar meu nobre aeroplano ... 

Subo ao céu claro sem turbulência ... 
No coração a alegria de ser aviador 
Livre da terra, sem luta ou divergência 
Dono de meus atos e pleno senhor. 

Vôo proa norte, bem baixo sobre estrada 
Vendo passar pessoas, sem rumo, sem nada ... 
E sobre grupo parado em acostamento, 
Volteio em torno num impulso de momento ... 

Vislumbre de adultos e crianças a apontar, 
Quadro fugaz de humano e pequeno ... 
Estendo-lhes a mão, levanto o polegar, 
Gesto de piloto em comum aceno. 

Ergo do avião, o nariz, subindo pro alto 
Oferta de presente, inesperado ato 
O exibir de um acrobata em seu palco 
Um luping, dois tunôs e um parafuso ... 
Neste belo avião de há tanto em uso ... 

O biplano grita e estremece com vida, 
Gemendo cantares em seus estais ... 
Em transmissões de emoção sentida, 
Encantos despertos e transcendentais. 

Saio do invertido, volto ao normal 
E com alegre despedida, no balanço das asas 
Fecho do espetáculo, a cortina descomunal ... 
Retorno pra junto de gentes e casas. 

No rumo da base, com a proa apontada 
Ambos nos entregamos a tunôs bem lentos 
Agarrando o momento de emoção dedicada 
A todas as águias, em todos os tempos!

 

 

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Edgard O C Prochaska 
z.prochaska@uol.com.br  - São Paulo/SP

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